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Carta aberta: considerações finais sobre a exposição Passagens

Atualizado: 22 de Out de 2019


Quando nasceu a ideia para o projeto que viria a se tornar o que hoje conhecemos como Passagens, o objetivo era compilar algumas fotos históricas para a cidade de Caxias do Sul registradas por Julio Soares. E a forma pensada era agregar uma exposição fotográfica com shows para celebrar os 25 anos de carreira do Julio. Para quem nunca tinha pensado em fazer uma exposição fotográfica oriunda de seu trabalho, já era uma concepção ousada. Agora, mais de um ano depois, olhando para o caminho percorrido nestas Passagens pelos bastidores do projeto, podemos concluir que, sim, fomos muito além desta concepção inicial. Não tivemos shows. Não tivemos banda. Mas tivemos a arte sendo expandida, tivemos não só uma exposição com quadros nas paredes. Tivemos uma verdadeira instalação artística, com direito à interação do público.

Os resultados falam por si só. Julio Soares entrou nesse projeto pensando em exibir um pouco de seu legado histórico como fotógrafo para a cidade. No meio do processo, se descobriu artista. Descobriu que, mesmo as fotos que ele não considerava históricas, ou que ele nem gostava tanto, tinham um valor intrínseco.

Outro grande resultado foi ter registrado o maior público de uma inauguração na Casa da Cultura. E não tem como argumentar que este público provém apenas das inúmeras relações que Julio criou nestes 25 anos de carreira. Se este fosse um argumento crível, não haveria outra estatística para além da abertura – números estes que dizem que houve uma intensa visitação ao longo de todo o período. As pessoas ficaram curiosas, foram instigadas a verem, a se inserirem nesse mundo da arte. Algumas, até, não sabiam se era gratuito, nunca tinham ido a Galeria. Mas quebraram essa barreira, porque queriam ver um pouco mais do que já tinham lido no jornal, no Facebook, visto na televisão.

E aqui é que percebemos como o trabalho de um complementa o de outro nessa equipe. Se saiu tanto no jornal, é porque houve uma excelente divulgação. Mas uma divulgação vazia não se sustenta, então se percebe que o conceito da exposição estava bem trabalhado, de forma que despertou a atenção dos jornalistas. E, claro, as entrevistas, as histórias que foram contadas nelas, foram atraentes. A identidade visual estava moderna, limpa, que demonstrava, logo a primeira vista, que era um trabalho profissional. Que havia mais a ser visto. E é claro que tudo começou por um projeto bem escrito, que permitiu a captação da verba, sem a qual nada disso seria possível.

Uso o sujeito na primeira do plural ao longo deste texto porque tudo o que foi realizado dependeu de uma equipe bem estruturada. Não é exatamente comum as exposições fotográficas nascerem de um grupo no qual cada um tem uma função bem definida, e com um background que recende a anos de experiência. A isto, se deve agradecer ao financiamento público, pois quando as verbas são particulares, fica muito mais difícil contratar profissionais.

E ter uma equipe especializada fez toda a diferença. Isto não quer dizer que cada um se ateve a sua tarefa e só. Foram inúmeros telefonemas, muitas reuniões, brainstorms, questionamentos. De alguns profissionais, se exigiu ir além de suas funções para cumprir todas as demandas que a exposição pedia. O que importa, ao fim de tudo é que era uma equipe comprometida com o resultado, comprometida com o objetivo de fazer o seu melhor.

Digo ao fim de tudo, mas não é para soar tão definitivo. Novas portas se abriram, pois não há como ter trabalhado na exposição Passagens e não ter adquirido experiência. Com certeza, ela foi um divisor de águas para todos nós. E agora cabe a nós utilizar estas experiências que agregamos para construir novos futuros. Se criaram pulgas atrás das orelhas ao pensar o que faremos em seguida, e novas ideias já estão começando a surgir, da mesma forma que se iniciou a exposição que agora finalizamos. Novos planos já estão sendo traçados. Lá nos bastidores, pode ainda ser só uma marolinha. Que depois pode atingir a todos nós, como equipe novamente, como uma onda. Ou então um tsunami, se repetirmos o feito de recorde de público. Porém, a nós não basta repetir. O objetivo agora é superar. Que venham os próximos projetos.

Curadora Liliane Giordano

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