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Sala de Fotografia analisa: Feira Fotografar 2017


A Feira Fotografar é um evento que congrega um público diversificado, conseguindo colocar em seu leque tanto fotógrafos sociais quanto os autorais. Talento raro em eventos de fotografia, mas uma preciosidade, já que ambos os públicos têm muito o que aprender entre si. Muito mais que um espaço onde expositores demonstram seu produtos relacionados ao universo de captura de imagem, a Fotografar investe na educação de seus participantes. Neste ano, na sua 11ª edição, eram 10 atividades simultâneas, incluindo o congresso, fóruns, workshops, palestras, talks, exposições. Uma meta acertada, já que a educação e as amplas discussões propiciadas nesses espaços é o que enriquece os profissionais da área. Em 2017, a Feira Fotografar, maior feira do segmento da América Latina e que é promovida pela revista Fhox, ocorreu dos dias 28 a 30 de março, em três andares do Shopping Frei Caneca, em São Paulo. E a Sala de Fotografia esteve por lá pra conferir o que ocorreu. Este texto é uma análise das atividades que acompanhamos.

Se o Congresso atraiu mais os fotógrafos sociais, já que dividiu seus três dias em temas como fotografia de casamento, newborn e família, o Fórum de Fine Art foi o que chamou os fotógrafos autorais, com nomes importantes nesse meio. Mas então a festa de boas-vindas, na terça à noite, congregou ambos os públicos, trazendo um clima de descontração, no qual o tema principal das conversas era, é claro, a fotografia.

Borrando fronteiras

Contudo, o Congresso Fotografar ajudou a borrar as fronteiras do estilo social ao apresentar convidados oriundos de outras áreas. Um exemplo foi o importante fotógrafo Bob Wolfenson, que integrou a programação da “Superquarta – Família”. Ele falou sobre o tema “A arte do retrato”, mas também atua em fotografia de moda, publicidade e foi o fotógrafo de nú da revista Playboy.

“Eu não seria nenhum desses fotógrafos se não fosse o outro. Preciso de todas essas camadas da minha personalidade. E não hierarquizo, todas elas são necessárias para ser quem eu sou. Não expio minha culpa pela fotografia publicitária ao fazer coisas pessoais depois. Não, nenhuma fotografia é melhor que outra.”

(Bob Wolfenson)

Na mesma toada, Bob explicou que tudo o que vive influencia a sua fotografia. Ao ser questionado sobre como pesquisar referências, ele explicou que tudo o que se faz conta.

“Estudar é tudo, ver filmes, ver séries, o que me inspira é a minha existência.

Esse é o milagre: fazer com que o meu cotidiano inspire o meu trabalho.”

(Bob Wolfenson)

O que ele diz se comprova em uma história que contou sobre quando foi fotografar um jogador de futebol e, no meio da sessão, lembrou de uma foto que tinha visto do Pelé.

“Não é que olhei a foto do Pelé e pensei: vou copiar. Não, ela estava em meu repertório quando precisei.

A foto estava na minha cabeça, no meu HD, e ela surgiu quando foi necessário.” (Bob Wolfenson)

Divertido, Bob Wolfenson criou empatia com a plateia – que fez outras perguntas não tão relevantes perante a incrível produção do fotógrafo, como que lentes ele usa, ou qual software ele utiliza para edição. Diante da observação que não foi fácil chegar até aqui, ele ironizou: “hoje até que foi, vim de táxi.” E ainda brincou com a morte, ao explicar que muitos de seus retratados já morreram, e por isso é que não faz autorretratos. Descontraído, de calças dobradas e meias coloridas, Bob falou até o último segundo possível – e ainda foi muito pouco para tudo o que já produziu e para mostrar seus incríveis retratos. Fez uma autocrítica no palco, argumentando que deveria mostrar mais e falar menos – ao que a plateia reagiu com sabedoria: as fotos podemos achar na internet, as suas histórias contadas, não.

Uma dessas histórias foi de como aos 28 anos de idade, e já dono de uma certa carreira na fotografia, vendeu tudo o que tinha e foi viver nos Estados Unidos por um ano. Querendo vencer a mediocridade que achava que tinha na carreira, Bob procurou emprego na fotografia, mas não quis ser fotógrafo, foi ser assistente. E assim voltou com a bagagem de ter trabalhado no exterior com grandes fotógrafos.

Esta é uma boa lição para quem sonha com uma carreira na fotografia. Na pressa de se lançar no mercado e achar a sua voz autoral, os fotógrafos estão se jogando muito cedo no mercado freelancer, sem antes procurar trabalhar sob a tutela de mestres, de padrinhos que possam passar ensinamentos práticos da profissão. Fotografia não é só feeling ou talento, tem muito mais a ver com estudo e prática incansáveis.

Bob ainda falou sobre a importância da narrativa para criar entendimento sobre o trabalho realizado.

“Narrativa é ter uma história, por mais que a pessoa que vê as fotos não entenda.

É importante para o próprio fotógrafo ter esse nexo.” (Bob Wolfenson)

E ainda deu dicas sobre retratos:

“Acho uma bobagem dizer que tem que ter descontração no retrato. Rejeito esse senso comum. Não tem que ter descontração. Tem que ter o que está acontecendo no momento, seja contração ou descontração.”

(Bob Wolfenson)

Também falou sobre a postura do fotógrafo.

“Só pode ser fotógrafo tímido se fotografar natureza morta. É necessária essa interação, se for fotografar pessoas. Robert Kappa dizia que se foto não está boa, é porque você não está perto o suficiente. Acho esta uma grande frase”. (Bob Wolfenson)

Outra palestra da “Superquarta – Família” que não focou exatamente no tema, com o objetivo de ampliar fronteiras, foi a de Henry Carroll, que falou sobre o processo de criação de seu livro “Leia isto se você quer tirar fotos incríveis”. A obra ensina fotografia de um jeito mais leve e descontraído do que os livros tradicionais do tema.

A mensagem que ficou com a sua fala foi a de que estudar fotografia não necessariamente precisa ser algo técnico e/ou acadêmico. Mas é necessário sim ter referências. Mesmo ao simplificar o tema e as imagens que ilustram a publicação, o escritor precisou buscar importantes referências do mundo fotográfico nas múltiplas fontes clássicas desse tema.

Além disso, Henry deixou claro que primou pela simplicidade e continuou atrelado ao seu foco o projeto inteiro. Uma lição para os fotógrafos da plateia levarem para seus estúdios: lembrar da simplicidade. O escritor ainda instigou o público, baseado em sua experiência com o seu livro.

“Este é um bom exercício para você parar e pensar: o que é fotografia para você?” (Henry Carroll)

Fotografia autoral

A Feira Fotografar dedicou um espaço para debater a cadeia autoral do mercado fotográfico brasileiro: o 5º Fórum Fine Art Inside, que ocorreu na terça. Mas esta foi a última edição, no próximo ano, o evento vai ganhar o nome de Fórum de Fotografia Autoral, de acordo com Mozart Mesquita, diretor do Grupo Fhox. Isso para trazer um frescor às discussões dessa área. Na abertura do Fórum, Mozart falou sobre os dados sobre este setor, tanto sobre as impressões em papel diferenciado, quanto a distribuição da fotografia como objeto de arte. Na área do papel, é difícil ter acesso aos dados no Brasil, já que a indústria não quer liberar os números do consumo deste tipo de material. Quanto aos números sobre arte, a pesquisa Latitude é reveladora: em 2015, a fotografia foi a terceira forma de arte mais vendida, atrás apenas da pintura e da escultura, correspondendo a 18% das vendas em galerias de arte.

A primeira palestra do Fórum foi “A viabilidade da produção cultural na fotografia brasileira”, com Roberta Tavares, Fernando Bueno e João Kulcsár. Roberta é da Magnum Caravan Brazil, que conta com o apoio da agência de fotos americana para difundir a fotografia no Brasil por meio de bolsas e outras atividades culturais. Ela divulgou o pocket festival que a Magnum promove para celebrar seus 70 anos, entre os dias 22 e 30 de abril, no Rio de Janeiro. Fernando Bueno é diretor do Canela Foto Workshops, festival de fotografia que ocorre em Canela, RS - que neste ano completa 15 anos e vai contar com o artista Vik Muniz na sua programação. Ele falou sobre o andamento da proposta de criação do Instituto de Fotografia e Artes Visuais de Canela, que vai preservar a memória fotográfica do país. João Kulcsár é professor do Senac - SP, e presidente da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil. Ele ressaltou que a Rede já conta com 272 membros, de todos os Estados do país.

Sobre o tema da palestra, Bueno destacou que é preciso estar preparado para viabilizar projetos.

“É muito importante ter informações, números, para convencer alguém a investir. Grandes empresas estão atrás de conteúdo. Só vai convencer que seu produto é bom se tiver dados pra convencer, pra mostrar que é bom”. (Fernando Bueno)

Roberta concordou com Bueno.

“Tem que estar preparado, não pode depender só de uma marca, um nome.

Tem que mostrar que sabe o que está falando.” (Roberta Tavares)

Ela ainda destacou a necessidade de se acreditar nos projetos, por mais difícil que seja.

“Precisa de uma ideia, um interesse, pessoas pensando igual, que o projeto vai acontecer.

Mesmo festivais grandes nos Estados Unidos começaram muito pequenos”. (Roberta Tavares)

A segunda palestra do Fórum discutiu “O papel dos eventos na construção do público e do mercado”, com participação de Maurício Simonetti, do Fotoforma, Zé Bobby, da SP Photo Week e Juan Esteves, fotógrafo e curador. Os palestrantes debateram sobre o boom de feiras e festivais que aconteceu nos últimos cinco anos, fruto dos fotógrafos partirem para a venda direta de suas fotografias. Mas daí a entender que elas aumentam o público consumidor de fotografia já é uma dúvida.

Para Maurício, ele percebe que as vendas não tem um índice de aumento, e que as feiras não oferecem um ambiente confortável ao público – sendo assim, elas ainda não chegaram em um ponto de maturação. O que falta é um trabalho de curadoria nas feiras, porque o nível dos trabalhos mostrados difere muito entre si. Além disso, precisa padronizar os preços e ampliar a rede de contatos pois, atualmente, quem frequenta essas feiras geralmente são os próprios fotógrafos, seus amigos e os expositores.

Para Juan, eventos como fóruns e festivais trazem informalidade que contribui muito para a difusão da fotografia – nesses eventos há inclusive o movimento de jovens iniciantes na carreira falando com fotógrafos mais experientes, e o contato que esses fotógrafos tem com produtores e curadores.

Zé Bobby trouxe uma experiência mais tangível, ao falar da SP Photo Week. A feira, apesar do grande sucesso de público da duas edições do evento, não garantiu o retorno em vendas, e está agora em um período de pausa, para tentar entender qual formato se deve seguir.

Feminino

A Feira Fotografar trouxe uma mesa para falar sobre “Olhares sobre o feminino na fotografia brasileira”. Ana Sabiá falou sobre como usa o próprio corpo para compor alguns de seus trabalhos na fotografia.

“As pessoas ainda falam da minha coragem ao me fotografar nua. O corpo na arte é um outro corpo, e tem outras formas, outros códigos de se pensar. Se me fotografo nua, ali não sou eu. O papel da arte é o da problematização e fazer desacomodar, pensar o que está acontecendo ali que me incomoda tanto.”

(Ana Sabiá)

Grazi Ventura explicou o seu projeto “Ciclos do Feminino”, no qual buscou histórias de mulheres para contar por meio da fotografia. Na exposição presente na Fotografar, Grazi apresentou fotos de sete mulheres em diferentes fases da vida que fotografou durante um ano, retratando o seu cotidiano.

Na mesa também teve espaço para um homem. Walmor Oliveira contou sobre o seu projeto que veicula no Instagram chamado “Corpo Meu, Mando Eu”. Ele fotografa mulheres nuas, permitindo a elas que se coloquem como quiserem em cena. Só depois de retratá-las ele pede a elas para enviarem um depoimento sobre o tema do projeto, que é postado junto com a foto no canal da rede social, que já conta com 18 mil seguidores. O processo de ser fotografada acaba virando uma catarse a essas mulheres, muitas delas acabam relatando histórias de violências sofridas - há casos que nunca antes tinham sido contados a ninguém.

“O projeto tem o objetivo de ser o que você quiser. Porque isso é o feminismo, ser o que você quiser.”

(Walmor Oliveira)

Walmor explicou que pede a elas para tirar a roupa mas, caso elas não queiram mostrar nada, também podem esconder na hora da foto. A própria nudez no projeto acaba incentivando a fala, já que é um processo de libertação, é como tirar uma camada. Muitas mulheres nunca antes tinham se visto nuas. O objetivo do nú nas imagens não é sensualizar.

“A nudez é um bloqueio gigantesco. Quero que o projeto enfoque na educação

das novas mulheres e dos novos homens.” (Walmor Oliveira)

O fotógrafo conclui, após fotografar 150 mulheres para o projeto, que não há um padrão de beleza, pois nenhuma delas está feliz com seu corpo. “O machismo quer deixar as mulheres sempre inseguras. A sociedade não tem interesse na força da mulher”, ressaltou.

Quando questionado sobre a beleza das imagens, diante de histórias tão tristes, Walmor argumentou que as mulheres se sentem lindas ao serem fotografadas – e é por isso que ele não quer saber das histórias antes do ensaio. Se soubesse, o seu conhecimento ia mudar a forma com que ele as fotografa.

Fotolivros

Os fotolivros também tiveram espaço no Fórum Fine Art Inside. A mesa “Narrativas visuais: sobre fotolivros”, deixou claro que fotolivro, aqui, se refere ao livro de autor, quando um fotógrafo faz um livro com fotos conceituais. Há uma confusão aqui no Brasil sobre esse termo, pois muitas vezes se chama de fotolivro os álbuns de casamento, de família, que seria o fotoálbum profissional. O fotolivro, na verdade, está mais conectado com o autor do livro do que com seus personagens – como é o caso dos álbuns de fotografia social.

Na mesa, André Penteado contou sua experiência de publicação de livros como autor das obras “Cabanagem” e “O Suicídio de meu Pai”.

Fernando Ulmann, da Ipsis Gráfica e Editora, contou sobre o processo da empresa para imprimir fotolivros de qualidade, e que se aproximem o máximo possível do que o autor pensou na hora de registrar a imagem.

Já o fotógrafo e curador Juan Esteves voltou ao debate no Fórum (ele já tinha participado da mesa sobre “O papel dos eventos na construção do público e do mercado”) para fazer uma retrospectiva sobre a história do fotolivro no mundo. Ele ressaltou a importante participação de dois editores europeus que mudaram a história da fotografia: Delpire, que editou o terceiro livro de Cartier-Bresson na década de 50; e a Aperture, que publicou muitos livros e revistas que foram essenciais para toda uma geração de fotógrafos. Mais adiante, na década de 1980, a Delpire volta a ser muito importante ao lançar a coleção Photo Poche, uma coleção de livros de bolso com grandes fotógrafos. Juan ainda destacou a importância de fotógrafos terem acesso a fotolivros e ressaltou a necessidade de educação visual.

“É fundamental que fotógrafo leia e veja livros, não só de fotos, mas de textos também. Há livros teóricos muito bons, com novos pensadores”. (Juan Esteves)

Para finalizar suas atividades, o Fórum trouxe a curadora Rosely Nakagawa mediando o fotógrafo Carlos Moreira, que acabou de lançar um fotolivro. Carlos é um fotógrafo de rua, com muitos anos de carreira. Rosely destacou que Carlos é muito conhecido de quem é ligado a pesquisa, mas não se conhece muito o seu trabalho como autor – coisa que agora o livro revela.

“As pessoas produzem para o mercado ao invés de produzirem algo sólido para si mesmas. Qualquer produto que não é sólido, com qualidade, vira só mais um e desaparece.

Destaco como Carlos Moreira conduz, pois ele faz um trabalho, não é só mais um produto.”

(Rosely Nakagawa)

Fotoálbuns

A Feira Fotografar também promoveu o Wedding Best, concurso que premia os melhores álbuns de casamento do Brasil. Os finalistas tiveram os seus trabalhos impressos e expostos na feira, e o ganhador vai a Nova York participar da Photoplus Expo 2017.

O que vimos nos álbuns foi uma escolha que pareceu ser pela emoção: todos os retratados demonstravam amplamente suas emoções. As narrativas se destacaram pela linearidade, com excessão do álbum que se inspirou nos antigos copiões analógicos, colocando diversas miniaturas na página da esquerda, e ampliando uma destas na página à direita. Notamos ainda que, em alguns trabalhos, poderia haver um cuidado maior de enquadramento e de edição. A fotografia contemporânea nos traz a possibilidade de um registro mais espontâneo nos eventos. Porém, de qualquer forma, é necessário que se tenha atenção em relação aos detalhes que compõem o quadro, balanço de branco e desfoque. Ainda, a tendência agora é zero de Photoshop – mas cabe destacar que um mínimo é interessante para suavizar tons e peles.

Havia trabalhos realmente muito bons, e o Wedding Best é um concurso importante pois serve para criar as tendências em fotoálbuns no Brasil.

A Feira

A Fotografar é a maior feira de fotografia da América Latina e, portanto, os expositores aproveitam para lançar todas as suas novidades aqui. O relato que fazemos agora não é necessariamente dessas novidades, mas do que nos chamou a atenção ao circular pelos seus corredores.

Se falar em quantidade de público é falar em sucesso, então a Feira Fotografar já podia ser declarada como ótima já no seu primeiro dia, na terça-feira. O movimento nos corredores era inacreditável. No segundo e terceiro dias ficou um pouco mais tranquilo, mas mesmo assim com presença muito significativa. Muitos expositores destacaram o crescimento dos visitantes de 2016 para 2017, e com todos que conversamos se diziam satisfeitos com as vendas realizadas e com as futuras possibilidades de negócios. Houve até um caso de expositor que estava pensando em desistir da Feira mas, depois do sucesso, vai inclusive ampliar seu espaço no próximo ano.

Uma das oportunidades para o visitante da Feira é se aproximar de novos materiais e possibilidades. Nesse sentido, a Via Color, laboratório fotográfico de Porto Alegre, apresentou novas ideias para quem passou pelo seu estande. A novidade foi a sua linha de álbuns newborn, com cores e cheiros ideais para essa linha de fotografia. O que nos chamou atenção mesmo foi a caixa que vem com uma câmera Instax para fotos instantâneas e com um álbum para já ir colando na hora as imagens registradas. Um ótimo presente para os pais do recém-nascido.

Junto ao estande da Via Color, o público podia conferir um álbum de realidade aumentada: ao apontar o celular para as fotos desse álbum, as imagens estáticas se transformam em vídeo. Chamado de MagiPix, o produto foi criado pela Visual Joy e ST produções. Veja como funciona nesse vídeo.

Para aprender sobre diferentes tipos de papéis fine art e comparar a impressão, o visitante podia parar no estande Dinas, ou no Portal Fine Art. É importante os fotógrafos terem a percepção das diferenças, para ampliar as possibilidades de seu trabalho na hora de imprimir.

A Go Image, laboratório fotográfico de Caxias do Sul - RS, trouxe a sua linha de álbuns e alguns fotoprodutos, como o abajur fotográfico. As impressões em madeira e em acrílico para decoração realmente capturaram nosso olhar.

Os expositores de acessórios para fotografia newborn se destacaram na Feira Fotografar de 2017. Eram muitos estandes vendendo cestas, roupas, enfeites, cobertores. Em comparação, em relação a outras edições da Feira, sente-se falta de expositores comercializando fotoprodutos como camisetas, canecas, imãs, entre outros. Talvez aí já dê para se notar que a tendência do mercado fotográfico é se voltar para este setor, com crescimento expressivo na fotografia de recém-nascidos.

A Ipsis Gráfica e Editora, além de participar do Fórum Fine Art Inside, também chegou na Feira com novidades: agora imprime álbuns. Só para aguçar a vontade, a empresa fez um teste com uma Rev. Nacional, excelente revista do mundo fotográfico. O resultado ficou sensacional, quem via, já perguntava o preço pra levar pra casa. Infelizmente, o produto não estava à venda. A Ipsis também apresentou a sua linda coleção de livros de bolso da fotografia brasileira. Já são 6 volumes. Com acabamentos e impressão primorosos, a Ipsis faz assim a sua homenagem a fotografia brasileira, ao mesmo tempo que põe na vitrine seus melhores materiais e impressões.

O estande da Canon era um dos mais movimentados da Feira, sempre lotado e com filas enormes. Fica claro o quanto a Canon se beneficiou com a saída da Nikon do Brasil.

A maior novidade da Feira, contudo, foi o lançamento do Cameraclub. Criado pela revista Fhox, o programa pretende ser um clube, onde os associados possam ter diversos descontos e vantagens ligados ao mundo da fotografia. As vantagens incluem preços especiais para seguro de equipamentos, planos de previdência privada e saúde, linhas de crédito diferenciadas, cursos, descontos com laboratórios. Há um plano gratuito, mas para ter acesso a mais benefícios, é possível optar por outras duas modalidades. A Pro custa R$ 298,80 por ano. Já a Premium custa anualmente R$ 898,80. Para se associar, é só acessar o site.

No estande de atendimento do Cameraclub na Feira Fotografar, uma equipe atenciosa explicava sobre as vantagens e as futuras possibilidades. A ideia do Cameraclub é interessante, porque as vantagens associativas em qualquer área são inegáveis. Com um grupo formado, é muito mais fácil conseguir descontos e batalhar pelo fortalecimento da profissão, além de propiciar a troca de conhecimento.

Atividades

Paralelas à Fotografar, outras diversas atividades ocorreram. O que relatamos aqui é o que a Sala de Fotografia conseguiu participar. Ainda ocorreram diversas palestras com o Fhox Talks, onde cada palestrante tinha 20min pra falar. Além de toda essa programação, com assuntos interessantes, ainda houve algumas palestras em estandes. Esse é um ponto que pode ser melhorado para as próximas edições: o barulho dos corredores e o som das palestras nos estandes prejudicavam a concentração e a audição no palco da Fhox Talks.

A Fotografar também trouxe diversos outros palestrantes no Congresso, falando sobre casamento, família e newborn. Além do Fórum Fine Art Inside, a Feira trouxe novas edições do Fórum das Empresas de Formatura e do Fórum de Negócios com Fotos. Por fim, ocorreram três workshops ao longo dos dias da Feira: Masterclass Bob Wolfenson, Son Kissed e Filme e Fotografe com Drones. O site da Feira Fotografar foi atualizado com diversas notícias do que ocorria em cada dia, confira .neste link

O ingresso na Feira e a participação no Fhox Talks eram gratuitos. Os congressos, os Fóruns, e os workshops valeram o investimento do público para participar.

É notável o esforço da equipe da Fhox para produzir a Feira Fotografar. Mesmo com uma equipe reduzida, contando realmente com poucas pessoas, eles conseguem produzir um evento com diversas atrações que procuram elevar os níveis de discussões pertinentes a cada tema. Além disso, conseguiram dar conta muito bem das redes sociais e do site da Feira, chamando a atenção do público para o que estava acontecendo e servindo como guia. Novamente, como já vimos em festivais de fotografia, o esforço de vontade para produzir um evento como esse não é pequeno: é uma verdadeira luta para que tudo dê certo.

Conclusões

Percebe-se que a Feira Fotografar pretende investir na educação e na congregação do seu público. Logo ao ingressar no evento, o participante já recebia um guia que não continha apenas a programação, mas era uma revista com todos os dados do mercado da fotografia, bem como matérias interessantes sobre o setor. Todos os dias, fosse nas atividades gratuitas ou nas pagas, tinha pelo menos uma proposta que tentava sair da ideia da fotografia ser apenas produto ou serviço, mas que propõe pensar a fotografia como conceito. Ponto acertado, porque como temos visto nas propostas de eventos e festivais de fotografia, o que conta é o processo. Não é mais somente o produto final que tem validação, seja na fotografia autoral, seja no registro de eventos, ou em qualquer outra categoria da fotografia. Portanto, cada vez mais é necessário que os fotógrafos invistam em boas referências e em educação visual, e auxiliar neste processo foi um papel fundamental exercido pela Fotografar 2017.

Texto: Sabrina Didoné (jornalista - 0018277/RS) e Liliane Giordano (mestre em Educação: arte, linguagem e tecnologia)

Fotos: Liliane Giordano

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