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Literatura Latino-Americana: Jorge Amado

Vamos passear um pouco mais pela literatura da América Latina? Hoje vamos até à Bahia. Jorge Amado foi um escritor de extrema relevância não só para o seu país, mas para o continente como um todo. Ele tinha muitas amizades internacionais, inclusive com o premiado poeta chileno Pablo Neruda.


O livro mais conhecido de Jorge Amado, sem dúvida, é Gabriela, Cravo e Canela. E a obra tem vida, as páginas parecem pulsar ao ritmo do cotidiano da cidade de Ilhéus da década de 1920.

A história se inicia quando Nacib, descendente de sírios, mas tipicamente brasileiro, se descobre subitamente sem cozinheira para preparar os doces e salgados que serve no bar do qual é dono. Desesperado pela falta de mão de obra, ele acaba contratando uma retirante da seca no sertão: Gabriela.

Está criado o pano de fundo para a obra que é uma verdadeira crônica social de uma cidade em pleno desenvolvimento. Pelo bar passam os principais personagens, e da vida deles o leitor vai sabendo, página a pagina. Assim o escritor resume o que significava viver naquela cidade com tantas perspectivas de progresso.

Já na obra São Jorge dos Ilhéus, ele relata a história da cidade desta cidade na Bahia no início do século 20: a loucura provocada pela alta nos preços do cacau, e a desgraça subsequente da baixa, manobra dos exportadores para conquistar a terra. Por mais que nesse livro ele ainda use muitas descrições, que depois somem um pouco e ficam mais rápidas em Gabriela, Cravo e Canela, é um livro que traduz exatamente a sociedade da época, tendo um personagem de cada classe: o grande coronel, o ardiloso exportador, as moças entediadas e ricas, as pobres mulheres da fazenda, os empregados que são escravos, os agricultores pequenos que têm alguns poucos pés de cacau. Nas entrelinhas, há um forte tom político, demonstrando os problemas causado pelo capitalismo. Na superfície, sobra um livro cheio de poesia, delicadeza, compreensão das diversas naturezas humanas e descrições que transportam o leitor automaticamente à Bahia do início do século.

Essa é a força de Jorge Amado: nos faz captar uma realidade, e nos faz amar seus personagens como se fizessem parte de nossas vidas. São histórias que, apesar de retratarem um período histórico, são atemporais, pela força das emoções que carregam.




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