Sala de Fotografia analisa: Paraty em Foco 2019

Atualizado: Jan 10

Migrações. Este foi o tema do 15º Festival de Fotografia Paraty em Foco 2019. O Brasil é um país de migrantes. Pensar os sentidos e as travessias no tempo e no espaço é o que propôs os quatro dias de festival – de 18 a 22 de setembro. Seja migrações de pessoas, ideais, culturas ou imagens. E o tema não poderia ser mais pertinente neste momento que o mundo atravessa. Além do mais, o próprio idealizador do festival, o italiano Giancarlo Micarelli, é um imigrante que propôs este festival a 15 anos atrás.


Paraty em Foco nos fez migrar pensamentos, para ajustar o foco em imagens. Migrar é deslocar-se por um espaço, de forma temporária ou permanente, em um determinado tempo. Estamos em constante fluxo migratório, desencadeado pelas mudanças em nosso espaço e em nosso tempo. Só nos resta prestar atenção na experiência da travessia e no percurso dos sentidos nesse processo de tempo.


Confira as impressões da Sala de Fotografia nestes dias de evento na histórica cidade do Rio de Janeiro – e agora declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.


Exposição

Para começar nossa jornada em Paraty, ouvimos o relato de Marina Klink, contando sobre a travessia a remo na América Latina, feito que já completa 35 anos. Marina falou sobre a parceria com o festival Paraty em Foco, já que a casa da família, denominada Casa PEF-Klink, é agora um centro cultural em Paraty, e abriga histórias e exposições. A exposição de Marina Bandeira Klink nos mostra a partir de suas experiências a Antártica, a última fronteira. São imagens de uma viagem silenciosa, da natureza intacta, majestosa e linda.


Palestras

A abertura do festival neste ano ficou a cargo de Juan Esteves, que conversou com Ueslei Marcelino, na mesa intitulada “A grande caravana rumo ao norte”. Ueslei foi premiado como Fotógrafo do Ano de 2018, pela sua atuação na agência de notícias Reuters. Juan e Ueslei falaram do sincronismo e conexões ao longo da vida de ambos.

A palestra trouxe um depoimento sensível da trajetória de um fotógrafo da Reuters, que está na equipe vencedora do prêmio Pulitzer 2019 pela cobertura da caravana de migrantes da América Central, que ao longo dos meses de outubro e novembro de 2018, atravessou o México até a fronteira com os Estados Unidos. A história atraiu a atenção da imprensa internacional para a explosiva questão migratória.


A caravana saiu de Honduras com destino aos EUA. Ueslei iniciou sua fala dizendo que dedicação, muito mais que sorte, é o que define este trabalho. Foram 62 dias imerso na vivência do projeto da Travessia. Edgar Garrido, chileno, foi junto fazer a cobertura. Foram de 100 a 150 pessoas trabalhando para poder publicar esta reportagem.


No fim de novembro, um ano e meio depois, ele buscou estas famílias para saber o que houve.

“O fotojornalista tem que ter coragem, mas também medo. Tem que se envolver na história, porque estas pessoas largam tudo, mesmo que seja o pouco que tem, e saem em busca de uma vida melhor para sua família, seus filhos.” Ueslei Marcelino

A mesa seguinte no Paraty em Foco trouxe Paulo Marcos M. Lima conversando com o artista visual Marcos Bonisson e com o fotojornalista Rogério Reis.


Rogério iniciou mostrando trabalhos relacionados às questões urbanas a partir da série Na Lona, Exaustão e Surfistas de Trem. Ele falou também de suas personas: “Em Copacabana sou fotógrafo, artista. No Leblon, sou paparazzi – dos anônimos, do cara que vai ficar famoso, o trabalho dos encobertos.” E citou tópicos para uma boa convivência com as pessoas na praia: ser tolerante com os banhistas, com os guardas, com a estrutura...


Marcos Bonisson tem seu trabalho ancorado na literatura e também experimenta com as passagens entre a fotografia e a imagem em movimento. Ele resgatou sua trajetória artística com imagens ainda inéditas da Série Vermelha. Ele ainda descreveu um percurso de vida e trabalho, desde as observações das pinturas de Caravaggio, a capacidade de ler e de formar imagens, imerso na biblioteca de seu pai - com a literatura iniciou seu processo de fabular imagens. Depois disso, acabou por viver no Parque Lage, iniciando com desenho, gravura e metal, além do cinema, e mais tarde o mundo da fotografia.

“Assim a fotografia consegue me dar liberdade para colocar em prática algumas das minhas experiências imagéticas, de uma criação mais espontânea que está na cabeça e o processo criativo consegue criar de forma poética o cotidiano. Um percurso que vai em zig em zag, um processo de muitos caminhos, de muitas mudanças e de realmente experimentações de diversas possibilidades.” Marcos Bonisson

Marcos ainda falou do Parque Lage como um espaço mágico, espaço este que pode ser onde se convive, mesclando o cotidiano e séries sem o limite de uma finalização.

“Essas vivências me deixam sem uma forma de acabar, o que me atormentava muito, sem a finalização das séries. Com a experiência, percebi o peso disso e que posso deixar as séries sem acabar, com a possibilidade de revistá-las quando quiser.” Marcos Bonisson

O artista também falou do trabalho e sua relação com a linguagem, fazendo um resgate com as relações e suas experiências mais próximas, com a infância e suas marcas de referência em desenvolvimento. Marcos afirmou que o trabalho precisa de uma proposição efetiva, um propósito. Às vezes, pode ter uma relação com a expectativa de observador, de espectador.

Escuta

A quinta-feira do festival ainda trouxe a artista visual suíço-brasileira Sonia Guggisberg conversando com Michele P. Pucarelli na mesa intitulada “Silêncio”.


Sonia falou de sua produção documental a partir de suas experimentações com diversos suportes, combinando uma poética política em uma busca por interrogar a invisibilidade dos migrantes, tratados como pessoas sem história, números sem voz. Falou ainda do processo criativo que resultou nesse trabalho e os desdobramentos já realizados.

“Refugiado é palavra que esvazia o ser humano de qualquer possibilidade, de nacionalidade, de tudo. Pra mim é a minoria da minoria. É o abandono de sua casa, mas também de seus sonhos, tudo ficou pra trás. Eles chegam num novo país querendo dar seu melhor, mas são indesejados. Fui pra dentro de campo de refúgio, escutar voz, escutar história deles, sem tentar decifrar o que é a história deles. Fui documentar a arte, sem me ater a questão da identidade. Por isso que rostos são preservados. Gostam de privacidade, sobretudo mulheres e crianças, os árabes.” Sonia Guggisberg

O que passa a dar sentido a essas experiências foi o processo de testemunhar vidas anônimas, mergulhar nos seus movimentos, dissolver as alteridades e explicitar um certo modo de percebê-las a partir de imagens e sonoridades.

“Falei pra um menino que me pediu ajuda: não sei se posso te ajudar, mas posso te escutar. Ele era Sírio. Teve a família toda morta, e ele cruzou até Malta, sozinho. Ele disse que tentava estudar, mas todo dia ele esquecia.” Sonia Guggisberg

Sonia buscou traduzir e interrogar a presença do silêncio em diferentes instancias. “A espera – o que significa?”

“A genialidade do artista é dar visibilidade ao que não está visível. Talvez estejamos no momento em que a arte retorna ao real.” Sonia Guggisberg

E completou que a arte pode servir como um instrumento de reflexão, documentar sensibilidades, provocar um sentimento, mergulhar nas questões com uma dignidade.

“Artistas têm inúmeras escolhas. A minha escolha é usar arte como instrumento de reflexão sobre as invisibilidades. O meu papel como artista é documentar sensibilidades, dar voz a essas pessoas, trazer a discussão à tona.” Sonia Guggisberg

Para Pucarelli, o trabalho de Sonia toca em pontos que ninguém quer ver.

“Uma das missões mais nobres de um artista é dar visibilidade a algo que ainda está invisível. E Sonia faz isso com um tema que é muito incômodo, e dando dignidade a seus retratados.” Michele P. Pucarelli

Sobre o tema da mesa, Sonia se referiu ao silêncio da invisibilidade de milhões de pessoas, o silêncio das imagens que gritam pela urgência da realidade e de suas consequências ainda sem solução. O silêncio que reflete o esvaziamento de vidas, de seus passados e futuros. Trata-se de um silêncio que transforma a realidade em lacuna e apresenta seu testemunho em um discurso audiovisual e sonoro.

“Países que estão sendo destruídos vão perdendo a sua memória, não só identidade. Porque as ruínas levam as memórias das pessoas também, quando esses prédios são destruídos, as pessoas se arruínam também.” Sonia Guggisberg

Sonia ainda questionou se a sociedade da informação poderia ser talvez a sociedade da desinformação. O excesso nos deixa na superfície, em uma situação plana e superficial.

“O excesso de informação mantém todo mundo na superfície, isso impede que você pare pra refletir sobre algo específico. Estamos consumidos pelo excesso. O trabalho mais longo permite que você entre no assunto de uma maneira diferente. Fiz 6 viagens, cada um fiz um curta. Uma por ano, sempre no final do ano. Os campos antes eram controlados por ONGs, era mais gentil. Então que se fecharam estes locais, ficou mais feroz. No começo, todo mundo queria ajudar, agora todos cansaram. Muitas histórias é o tempo que vai construir. Não era em uma única viagem que eu poderia fazer uma reflexão mais profunda. Você precisa ter determinação de ter mais tempo pra ver a história, ver como ela se desenha, pra sair do superficial.” Sonia Guggisberg

Ainda de acordo com Sonia, o principal canal da fotografia hoje é a imagem fixa, o movimento, a narrativa, a sonoridade. A partir disso, fez curta-metragens sobre a sua experiência com refugiados.

Segundo Pucarelli, Sonia consegue se conectar com o atual na sua linguagem.

“O principal canal de visibilidade da fotografia hoje é a rede social. E a característica da rede é ter fixa, em movimento e a narração. Ideia de expansão da fotografia faz parte desse canal, se apropriar dele. E o trabalho da Sonia está antenado com tudo que está acontecendo.” Michele P. Pucarelli

Fotografia e Viagem

Eliane Band e Maria Daniel Balcazar falaram na quinta do festival, em uma mesa comandada por Bruna Veloso sobre “Fotografia e Viagem”.

Eliane falou sobre Retratos em cumplicidade. Ela conta que retratou o mundo visto de sua montanha interior. Disse ainda que deixou um Himalaia de medo, e ganhou dignidade, uma força com a relativização do sofrimento, um sentimento de pertencimento, um caminho, um lugar inimaginável, uma generosidade. Saiu de um mundo pequeno para ser mais humana, mais forte e mais generosa.


Maria Daniel Balcazar apresentou Kilombo, uma obra centrada na vitalidade do sincretismo e na beleza da vida cotidiana. A série é resultado de quatros anos de viagens ao Brasil para registrar as marcas da diáspora africana na formação do povo brasileiro. O material gerou um livro editado por David Alan Harvey, membro pleno da agência Magnum e fundador da Burn Magazine.


No Brasil, o Quilombo representa uma comunidade autônoma de escravos foragidos que plantaram as sementes da herança afro brasileira. O título dessa série, Kilombo, tem origem bantu e realça o significado de fuga da injustiça e da violência. É um símbolo de dignidade e liberdade com ênfase na resistência e na transcendência da diáspora africana, geração após geração.


Maria Daniel contou que depende da cultura, respeito, amor, sentimentos, somos resultado do pessoal e do meio cultural. Culturas que elevam a alma então de respeito e confiança. As dificuldades se dissipam com o resultado da experiência. Lidar com as formas, passar pelo caminho com uma dose de amor, provar a experiência como um todo.


Raízes

Ângela Magalhães e Nadja Peregrino conversaram com Andreas Valentin e Januário Garcia - que definem duas matrizes da cultura brasileira, a europeia e a africana – sobre “África-Europa, Raízes de um Brasil Múltiplo”.


Andreas descreveu seu processo criativo e o projeto Berlim - Rio Trajetos e Memórias, baseado em acervo de fotografias deixado por seu pai. Ele ainda apresentou uma cartografia da memória de sua família, descendente de alemães. A partir de uma bolsa da Marc Ferrez, em 2015, iniciou o projeto Berlim - Rio. Pesquisou a trajetória de seus avós, com os escritos, as imagens e o material histórico que sua família guardou como arquivo pessoal. Andreas trouxe muitas referências de projetos com acervos e arquivos pessoais, como André Penteado, Jorge Bodansky entre outros com práticas materiais de comportamento, uma vida em movimento e uma vida animada. Pedro Vasquez com a memória de todos nós e espelho mágico de sua história.


E Januário Garcia apresentou a sua trajetória de 40 anos a documentar as matrizes africanas na cultura brasileira. Ele nos deixou com a sensibilidade a flor da pele com o breve relato de sua infância e juventude, com uma história de muita resiliência e com as sábias palavras de sua mãe – “você tem que ser plural para se tornar singular”.


Ele nos conduziu com a sutileza de suas palavras a uma forte reflexão com relação as nossas relações com o preconceito e com as políticas públicas. Para o artista, um país que não fez reforma agrária, não se constitui com as suas terras, e assim não temos uma cidadania plena.


Ainda segundo Januário, a cultura é política, mas a política não é cultura: a cultura é uma arma de libertação que cada batalha manifesta. E a fotografia pode ser usada para contar a história da comunidade. E concluiu: o tempo é uma ilusão, e a falta de tempo, um processo capitalista.

Europa e América

Na última palestra da quinta, Érico Elias apresentou o trabalho de dois fotógrafos nórdicos, que trabalham com projetos importantes sobre a crise migratória: o holandês Pieter Ten Hoopen e o norueguês Espen Rasmussen. A mesa era intitulada “Imigrantes na Europa e na América”.


Pieter fundou em Estocolmo a Civilian Act, empresa voltada à produção de narrativas visuais acerca de questões humanitárias. Ele ganhou o World Press Photo 2019 com imagens da cobertura da caravana de migrantes da América Central rumo à fronteira do México com os Estados Unidos no final de 2018.


Espen também trata dos crescentes fluxos migratórios, sobretudo em solo europeu, no projeto TRANSIT, que em 2007 ganhou o prêmio da Fritt Ord Foundation e em 2011 foi objeto de um livro e uma grande exposição realizada no Nobel Peace Center, em Oslo.


Novos temas

Ângela Magalhães e Nadja Peregrino entrevistaram o fotógrafo açoriano Orlando Azevedo, radicado em Curitiba desde 1963, em uma mesa intitulada “Mestiço: Retrato Do Brasil” na sexta do festival. Orlando desenvolveu o projeto Coração do Brasil por mais de 20 anos e já rodou do Chuí ao Oiapoque: foram milhares de quilômetros retratando. O resultado desse trabalho é o livro que dá nome a mesa. Ele terminou a mesa mostrando um expressivo trabalho de fotógrafo que registra o cotidiano e detalhes da urbanidade – demonstrando a importância do fotógrafo de registar em imagens a preservação da estética na sua simplicidade.


O cineasta e escritor Gregorio Bacic fez a mediação da conversa com Angelo Iacocca e Emídio Luisi na mesa intitulada “Imagens da Imigração Italiana”. Angelo mostrou imagens da imigração italiana em São Paulo, no início do século XX, objeto de uma extensa pesquisa, que resultou na publicação de um livro. E Emídio exibiu imagens da imigração italiana para o Brasil de ontem e de hoje. A etnografia das trocas simbólicas entre a Itália e o Brasil.


Gregório Bacic também relatou suas origens: é descente de imigrantes croatas da região da Dalmácia, que também vieram em grande número e aqui estabeleceram laços com os italianos, dada a proximidade dos dois países europeus.


Já Eduardo Queiroga conduziu a mesa com os franceses Alex Baradel e Vincent Rosenblatt, com trabalhos relacionados a cultura popular de matriz negra. O tema era “França-Brasil-África”.


Alex Baradel é membro da Fundação Pierre Veger, e apresentou a obra do fotógrafo que dá nome a entidade. Pierre Fatumbi Verger (1902-1996) encantou-se por Salvador ao aportar na cidade em 1956. No Brasil, foi um dos principais fundadores da fotografia moderna e dedicou-se a retratar os laços culturais que unem a Bahia à África.

Vincent Rosenblatt, radicado no Rio de Janeiro desde 2002, projetou suas séries sobre o baile funk e as festas pretas nas comunidades cariocas.


Premiação

Convocatórias sempre são importantes em festivais de fotografia, já que permitem dar visibilidade a fotógrafos e impulsionam carreiras. E a Convocatória Portfólio em Foco é um dos principais eixos do Paraty em Foco. Em 2019, recebeu 1.014 inscrições nas categorias Ensaio e Foto Única. Érico Elias, JR Pedroza e Roberto Soares-Gomes falaram sobre a organização deste projeto. A mesa ainda abriu espaço para os três primeiros colocados nas duas categorias falarem sobre os trabalhos ganhadores da Convocatória, o que reforça seu caráter inclusivo. Os ganhadores foram: Gabriela Vivacqua, Reiko Otake, Matías Quirno Costa, Virgínia Yunes, Claudia Guimarães e Felipe Paiva.


Referências

Já no sábado do festival, a mesa “Os Imigrantes na Formação da Fotografia Brasileira” trouxe muitas referências da história da Fotografia no Brasil.


Rubens Fernandes Jr. e Sergio Burgi propuseram uma leitura de algumas referências de fotógrafos estrangeiros que fazem uma grande contribuição com a formação da fotografia brasileira: Georges Leuzinger, Augusto Stahl, Revert Henrique Klumb, Guilherme Gaensly, George Huebner, Theodor Preising, Hildegard Rosenthal, Alice Brill, Stefania Bril, Madalena Schwartz, Thomaz Farkas, Marcel Giró, Maureen Bisilliat, Claudia Andujar.


Rubens Fernandes Jr. teve como referência sua própria coleção, uma das mais importantes coleções pessoais do Brasil. Sérgio Burgi trouxe como referência o acervo do Instituto Moreira Salles.


Mesa Fotografe Melhor

Sérgio Branco entrevistou os fotojornalistas Fabio Teixeira e Tadeu Vilani, os quais têm trabalhos documentais de longo prazo, na mesa que leva o título da revista Fotografe Melhor.

O gaúcho Tadeu Vilani vem se dedicando ao registro de questões humanas ligadas à identidade. Nascido em Santo Ângelo, na região das Missões, ele registra os diversos grupos étnicos que formam a cultura gaúcha.


Fabio Teixeira é paulista de Piracicaba e está radicado no Rio de Janeiro desde 2010, onde atua como fotojornalista freelancer e desenvolve documentação de histórias em longo prazo. No PEF, ele apresentou o trabalho desenvolvido junto à comunidade congolesa no Rio.


Cláudia Andujar e Sebastião Salgado

Duas grandes personalidades da fotografia brasileira tiveram seus trabalhos projetados e comentados por Thyago Nogueira, Evandro Teixeira e Pedro Vasquez.


A noite se iniciou com as imagens de Claudia Andujar. Ela exibiu seu trabalho com os Yanomami e a causa indígena pela defesa da demarcação de sua reserva e da preservação da floresta Amazônica, relação que vem desde a década de 1970.


O encontro seguiu com uma revisita ao projeto Êxodos, de Sebastião Salgado, finalizado em 2000. Salgado preparou uma apresentação de imagens especialmente para ser projetada na edição de 15 anos do Paraty em Foco. À seguir, Evandro fez um breve relato de sua relação de amizade com Sebastião e sua grandiosa obra. Mas depois, não se sentindo bem, saiu antes da projeção de imagens.


Programação paralela

Vale ressaltar que o Festival de Paraty é um projeto que foi acolhido pela comunidade de participantes, amigos e simpatizantes do Festival. Por meio de ações consegue financiar o projeto, como a Convocatória, o portfólio e a Selfi, encontros e entrevistas, workshops além da Tenda de projeções - que têm sido um dos pontos fortes, cada vez com mais relevância, a partir da aproximação do universo da fotografia com uma imagem em movimento. Desde 2016, o festival tem enfrentado uma nova realidade cultural com a escassez de recursos de financiamento principalmente para projetos de eventos culturais. Mas graças a um processo colaborativo, tem-se reiventado e continua a produzir e realizar ações muito importantes, trazendo novos olhares e principalmente possibilidades de dar visibilidade a outros projetos fotográficos que acontecem pelo mundo a fora.


A cidade de Paraty também se torna uma referência no projeto do festival por ser um espaço de encontro, de simplicidade e alegria em todos os locais cheios de imagens fotográficas.

Conclusões

Uma viagem com um festival é um investimento de pós-graduação intensivo! É isso que sentimos toda vez que vamos a eventos como o Paraty em Foco. O Fest Foto Porto Alegre de 2019 já tinha tratado o tema sobre imigrações – e isso só nos mostrou como o assunto é atual e não se esgota. Paraty nos trouxe novas reflexões e empatia para com as milhões de pessoas que se arriscam em travessias na busca por uma vida melhor. E nos mostrou, mais uma vez, como a fotografia tem o poder de documentar tudo isso. Mas este não foi o único aspecto retratado pelo evento. O Festival ainda provou o quanto é possível que imigrantes mudem a realidade da própria arte, com mesas pertinentes sobre fotógrafos estrangeiros que fizeram um trabalho muito significativo no Brasil. O Paraty em Foco não é apenas um dos mais antigos festivais internacionais de fotografia do país. É também um dos eventos mais importantes de discussão da imagem e seu papel na sociedade no cenário nacional.


Texto: Sabrina Didoné (jornalista - 0018277/RS) e Liliane Giordano (mestre em Educação: arte, linguagem e tecnologia)

Fotos: Liliane Giordano


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