Sala de Fotografia analisa: Canela Foto Workshops e Alasul 2017


A fotografia profissional não morreu: ela está mais viva do que nunca. Mesmo nos âmbitos que ela parece perder força, como o fotojornalismo e a fotografia publicitária, ela não morre agora, apenas se remodela e ganha outros contornos. E, talvez, ganhe até mesmo muito mais liberdade, fugindo da obrigação de ter que representar o real. Isso foi o que aprendemos de mais importante nesta 15ª edição do festival de fotografia Canela Foto Workshops, que ocorreu na turística cidade da Serra Gaúcha de 1º a 5 de junho de 2017. Neste ano, o evento se juntou a feira e congresso de fotografia Alasul, que ocorreu na sua sequência, nos dias 6 e 7 de junho. E a Sala de Fotografia esteve por lá todos esses dias para conferir o que rolou nas palestras, workshops, congresso e feira.

Um dos defensores da ideia de que a fotografia talvez agora ganhe mais liberdade é do artista Vik Muniz, que palestrou no domingo no Canela Foto Workshops. Para ele, a fotografia começa a se libertar das amarras de ser obrigada a retratar apenas o real, pois passa-se a ter um entendimento que ela é sempre um recorte dessa chamada realidade. E comparou com a história da pintura, pois foi decretada a sua morte devido a fotografia, mas o que ocorreu de verdade foi que os artistas então puderam pintar o que queriam, sem buscar as referências apenas no concreto da imagem.

Ainda, as palestras que deveriam ser o “velório” do fotojornalismo e da fotografia publicitária demonstraram que estes ramos estão vivos, se reinventando e quebrando as suas amarras. E a opinião não era uma qualquer: grandes mestres da fotografia nacional compuseram essas mesas. Nomes como Al Handam, Márcio Scavone, Raul Krebs e Cristiano Burmester, na fotografia publicitária; e Orlando Brito, Ricardo Kadão Chaves, Rogério Reis e Edu Simões, no fotojornalismo, devem ser ouvidos com atenção e respeitados. Suas carreiras e suas falas no festival demonstram o poder e o respeito que importantes referências como estas nos impõem.

Estes “velórios” até poderiam ser taxados de nostálgicos, e não podemos viver de saudosismo. Mas só vivemos o presente porque temos uma história bem fundamentada. Não vamos ter um futuro se não olharmos para esse presente de agora, e pra entender esse presente é preciso olhar para a nossa história. É só com a retomada da história que se compreende o que se vive. Se não tiver importância hoje, não vai haver legado nenhum.

Mas estas mesas fizeram mais do que só retomar o passado. Elas também tentaram entender para onde vamos. Confira o que foi discutido.

A suposta morte da fotografia publicitária

O Fórum de Ideias do Canela Foto Workshops foi composto por três palestras. A primeira delas ocorreu sábado à tarde (03/06) no casarão do Grande Hotel Canela e teve como tema “Jamais nos matarão, o que é bom não acaba”, discutindo a fotografia publicitária.

O primeiro a falar foi Márcio Scavone, uma das referências em fotografia de retrato no Brasil. Ele explicitou que foi atraído para a fotografia publicitária pela ideia de poder fazer um pouco de tudo. Este poder, segundo ele, agora na era digital, está com as agências. Porém, nestes ambientes, o pessoal de marketing é cada vez mais jovem, e lhe falta vivências e experiências de mercado.

"Fotografia é uma linguagem que todo mundo acha que fala." Márcio Scavone

Scavone ressaltou que fotografia de publicidade é a fotografia aplicada, e que seu interesse agora é a fotografia como um todo.

“Descobri que a fotografia é muito maior que esses grandes rótulos, como fotojornalismo, publicitária... A foto é algo maravilhoso, e que te leva para onde nenhuma outra linguagem pode te levar. Os olhos são a forma mais direta de ver o mundo.” Márcio Scavone

Para o fotógrafo, uma boa foto é uma que te dá “uma porrada na cara e mesmo assim você quer voltar para ver mais”. E assim grandes fotógrafos trabalham tanto com fotografia publicitária como seguem também outros caminhos.